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terça-feira, 17 de novembro de 2009

092. A NOIVA DE FRANKENSTEIN (1935)



O Dr. Henry Frankenstein (Colin Clive), enquanto se recupera do incêndio no moinho de vento (fato ocorrido no filme anterior, "Frankenstein"), é procurado pelo sinistro Dr. Pretórius (Ernest Thesiger), que lhe propõe a criação de um novo monstro, agora numa versão feminina. Enquanto isso, o Monstro, que havia desaparecido após o incêndio, é dado como morto.

Melhor acabado que o primeiro "Frankenstein" e com menor influência do cinema expressionista alemão, esta continuação é considerada a grande obra-prima dos estudios da Universal. Karloff novamente surpreende com ótima atuação se firmando como um dos maiores ícones do cinema de horror. A criatura, neste segundo filme da Universal, é mais consciente e são memoráveis as cenas em que ela aprende a beber e a fumar. Franz Waxman compôs, pela primeira vez na história do cinema, uma trilha musical especialmente para um filme de terror, trilha esta que fez tanto sucesso que foi reutilizada no seriado "Flash Gordon" e "Buck Rogers" entre outros. Além da "Noiva de Frankenstein" foram realizadas ainda diversas sequências, porém todas de qualidade inferior o que acabou degradando a imagem da criatura, tornando-a uma paródia. Além de todos os filmes da Universal, tivemos centenas de outras passagens pelo cinema do monstro criado pela jovem poetisa Mary Shelley. Tivemos as adaptações da Hammer e mais recentemente na década de noventa, Francis Ford Coppola produziu sob a direção de Kenneth Branagh, "Frankenstein, de Mary Shelley" (Robert de Niro faz o papel do monstro). Esta adaptação de Coppola reúne a história de "Frankenstein" e da "Noiva de Frankenstein" e tenta ser mais fiel ao livro do que as adaptações da Universal, não significando de maneira alguma, ter conseguido qualidade superior a dos antigos clássicos da Universal.
http://www.imdb.com/title/tt0026138/
nota 8.0
Fotos






A Noiva de Frankenstein (The Bride of Frankenstein, EUA, 1935)

Diretor: James Whale
Roteiro: William Hurlbut
Produção: Carl Laemmle
Música: Franz Waxman
Elenco: Boris Karloff (O Monstro); Colin Clive (Dr. Henry Frankenstein); Elsa Lanchester (Mary Shelley/A companheira do Monstro); Ernest Thesiger (Dr. Pretorius); Valerie Hobson (Elizabeth Frankenstein); Una O'Connor (Minnie) e Dwight Frye (Karl).
Ano: 1935
Duração: 70min
Gênero: Horror 

Tipo de Arquivo: RMVB
Tamanho: 331MB
Qualidade: Excelente
Audio: Inglês
Legenda: Português (embutida) 


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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

056. FRANKENSTEIN (1931)



Claro que Frankenstein não causa hoje o mesmo furor que causou na década de 30, quando foi lançado. Porém, se analisarmos a importância do filme para o gênero horror, fica impossível negar o status de obra-prima a esta fita. Vendo pelo olhar atual, pode parecer bobo e clichê, mas aos lentos passos da evolução, podemos dizer que, de clichê, ele não tem nada; muito pelo contrário, sendo um dos primeiros a adaptar a ousada obra de Mary Shelley para as telonas, em uma iniciativa muito positiva daUniversal, a série de filmes de monstros do estúdio acabou sendo o formador de tais clichês, muitos copiados, poucos igualados.
A história vem do livro clássico de Shelley escrito em 1816, quando a autora tinha apenas 19 anos, baseado em um sonho que tivera aos 18. Dr. Henry Frankenstein (Colin Clive) está recluso em seu castelo, ao contrário do que seu pai, Baron Frankenstein (Frederick Kerr), e sua bela noiva, Elizabeth (Mae Clarke), desejam. Tentando fazer com que ele volte para casa, eles não imaginam a experiência insana que o doutor está fazendo em seu laboratório: recriar a vida através de um corpo todo costurado, com vários pedaços de diversas pessoas. O problema é que o cérebro roubado para a experiência é de um ex-assassino, o que torna o novo vivo um verdadeiro perigo para a sociedade.
O terror de Frankenstein não está no explícito, mas sim nos textos subentendidos através das palavras ou ações. O ato de abertura do filme, em que uma pessoa vem e diz sobre o horror contido na obra, já preparava o público para o que vinha a seguir – e, da sua forma, já tornava tudo mais assustador. Um dos momentos mais fortes é quando o doutor, na presença de sua amada e de seu cunhado, explica que sua criação é feita de pedaços de várias pessoas. Em contraponto, nos momentos onde o horror tenta ser mais explícito, como quando o Frankenstein fica no mesmo quarto de Elizabeth ou então no final, com o boneco sendo jogado do moinho em fogo, fardaram o longa ao tempo.
Só que, naquele tempo, isso era suficiente para fazer as pessoas sentirem medo. Enquanto hoje o ultra-realismo é usado para personificar cada morte e fazer o público ter medo, em Frankenstein não era necessário isso. Ao mesmo tempo em que era um dos primeiros a brincar com o medo do público no cinema falado (o cinema mudo possui suas obras-primas do gênero; muito mais chocantes, por sinal), o seu poder como arte está nos pequenos detalhes, nos singelos movimentos: maltratado pelo criado do doutor, quando Frankenstein vê a criança, sua vontade era apenas brincar, e não fazer o que fez.
Fora que a belíssima direção de James Whale (que tem até um filme sobre sua vida, chamado Deuses e Monstros) contribui para que o trabalho, além de tudo, seja incrivelmente belo. Nessa mesma cena da menina, a paisagem ao fundo é simplesmente explêndida, fora os enquadramentos, que já são de uma composição invejável para o período pré Cidadão Kane. E o filme parecia estar mesmo predestinado a se tornar clássico, uma vez que o personagem se tornou imortal para a história do cinema (todos o relacionam à caracterização deste filme, seja em homenagens, desenhos, sátiras, etc), além de uma série de seqüências clássicas – a minha preferida é quando o doutor, enlouquecido pelo sucesso de sua experiência, começa a gritar a frase que iniciou esta análise; outra também bastante legal (e arrisco dizer que pode ter sido chupada de O Encouraçado Potemkin) é quando o pai, horrizado pela morte da filha, caminha com ela nos braços pelo meio da cidade.
O filme também traz alguns aspectos ilógicos, claramente forçados para romantizar toda a experiência ao público. Como explicar, por exemplo, as mortes tão simples dos coadjuvantes e como os protagonistas, que sofreram ataques muito mais graves, sobreviveram? E outra, se Maria se afogou, como todo mundo pode afirmar que ela foi assassinada? Isso é claramente uma deixa, que o autor nos induz através da afirmação de um personagem, para que a caçada ocorra, e não um fato que tem um backgroundconvincente para que possamos acreditar no que foi dito – uma preocupação que não existia na época; um aperfeiçoamento do roteiro que veio com o tempo.
O que sobra nos dias de hoje é a sua fonte de pesquisa como cinema, pois como entretenimento, especialmente como horror e suspense, claro que existem melhores opções. Sua característica mais marcante, a personificação do monstro em si (apresentando o ator como ? na abertura, mas dando os devidos créditos a Boris Karloff no final), pode não ser real como nos dias de hoje, mas é a caricatura perfeita do charme de uma era que não existe mais.
por Rodrigo Cunha