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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
060. A CADELA (1931)
Jean Renoir's primeiro filme sonoro foi um drama amargo e altamente controverso psicológico, tão polêmico que ele nunca foi exibido nos Estados Unidos até 1975, 44 anos após seu lançamento original em francês. Maurice (Michel Simon) É um humilde funcionário de banco preso em um casamento com uma megera chamada Adele (Magdelaine Berubet). Maurice único prazer na vida é a pintura, um hobby que ele avidamente prossegue fins de semana. Um dia, Maurice vê uma mulher na rua sendo espancado por um homem, ele avança para resgatá-la, e as greves de uma amizade com ela. Maurice logo se apaixona por Lulu (Janie Pelletier), Sem saber que ela é uma prostituta e que o homem que estava batendo nela é seu cafetão, Dede (Georges Flamant). Lulu admira pinturas de Maurice, e ele lhe dá várias telas; Lulu e Dede então inventar um artista americano chamado Clara Madeira e colocar a assinatura de Clara sobre as obras de Maurício antes de vendê-los a um negociante de arte, que é bastante impressionado. Maurice continua dando dinheiro e obras para Lulu, perdoando-la mesmo depois que ele descobre que ela está vendendo pinturas de "Clara Madeira", que estão ganhando preços elevados e comentários entusiasmados. No entanto, Maurice é ignorar que uma prostituta Lulu ou que ela realmente ama Dede até que ele pega os dois juntos na cama, finalmente, o amor leva à violência ciúmes e uma conclusão trágica. Enquanto Pelletier teve um desempenho notável na La Chienne, Ela era incapaz de desfrutar de grande aclamação do filme, ela morreu em um acidente de carro apenas algumas semanas após o disparo foi concluída.
http://www.allmovie.com/work/la-chienne-27887
http://www.imdb.com/title/tt0021739/
TORRENT
http://www.megaupload.com/?d=KVOYLYPT
LEGENDA
http://www.megaupload.com/?d=L1WLAPHX
059. M, O VAMPIRO DE DUSSELDORF (1931)
O cineasta alemão que negou emprego do próprio Hitler criou sua maior obra-prima em 1931, com M – O Vampiro de Dusseldorf. É verdade que cinco anos antes, em 1926, Fritz Lang dirigiu com maestria técnica o futurista Metrópolis, mas é com M que o mesmo diretor chegou ao que considero sua perfeição. Inspirado claramente pelo Expressionismo Alemão (tendência artística inspirada no temor ao desconhecido e ao sobrenatural), cujos primeiros exemplos no cinema são filmes como O Gabinete do Dr. Caligari e Nosferatu, M possui uma fotografia característica do movimento, cheia de sombras e escuridão, e personagens misteriosos, além de momentos aterrorizantes. O filme envelheceu um pouco, é verdade, mas ainda pode ser considerado uma obra-prima magistral, das maiores que o cinema já viu.
M é reconhecido hoje como o primeiro grande filme da cinemateca alemã. Originalmente, seria chamado de The Murders are Among Us ("Os Assassinos estão Entre Nós"), o que poderia ser considerada uma referência a um grupo Nazista da época. Com medo de que reconhecessem tal referência, Fritz Lang acabou alterando o título para “M”, da palavra Murders. O filme foi baseado em um caso verídico, do assassino em série Peter Kuerten, na mesma cidade de Dusseldorf do filme, embora o roteiro tenha muitos elementos fictícios, e fala sobre um infanticida que vem aterrorizando as mães daquela cidade (o assassino original não matava crianças). O criminoso põe toda a força policial e toda a população em alerta, e começa a ser caçado intensamente, a ponto de chegar a atrapalhar os negócios da máfia local, que passa a procurá-lo sem parar também.
O filme é sensacional também no uso do som, possuindo uma linguagem muito a frente de seu tempo. Lang foi um dos primeiros cineastas a utilizar o som para ajudar a contar a história além do que mostram as imagens. Frame parado, imagem suspensa, e o som continua contando a história. Dessa forma foram criados momentos de suspense e tensão inacreditáveis, como na cena em que o assassino, acuado como um rato por seus perseguidores em um canto escuro (imagem parada em sua expressão de medo) ouve o som deles cada vez mais alto, e sabe que será inevitavelmente descoberto. O uso da música In the Hall of the Mountain King, como marca registrada do assassino, que a assobia enquanto anda calmamente pelas ruas, também ajuda a criar um clima de suspense maravilhoso.
M, embora não seja tecnicamente tão impressionante como Metrópolis (na realidade é melhor, mas apenas por causa da evolução natural do cinema, mas relativamente falando não é tão revolucionário quanto), é mais interessante em termos de narrativa, que aqui poucas vezes fica monótona (característica comum em Metrópolis, por mais que os críticos em geral o idolatrem). É a utilização da técnica aliada a uma história de conteúdo importante. Sobretudo o personagem de Peter Lorre, o assassino, que aparece apenas com destaque na segunda metade do filme, é multidimensional e completo. Os olhos do ator, atormentados na cena final, produzem um dos melhores momentos do filme, para não dizer de todos os tempos no cinema, sem exageros. É um momento único e forte, que retrata toda a personalidade ambígua do personagem. Um dos assassinos mais interessantes do cinema: perigoso e ingênuo, medroso, ao mesmo tempo.
Como em Metrópolis, novamente o ser humano e suas emoções são o ponto de suporte da história de um filme de Fritz Lang. O diretor retrata o pior do ser humano: sua hipocrisia, arrogância, como o assassino que acaba julgando o assassino, ou a acusação da lei do homem com suas falhas óbvias que deixam assassinos soltos, com a desculpa de que problemas mentais os deixam irresponsáveis pelos seus atos (de qualquer forma, a lei do homem não traz as vítimas de volta, como constata a mãe na maravilhosa e tocante cena final). Seria o personagem de Lorre realmente um doente mental, ou seu comportamento é apenas um artifício para tentar se livrar da pena de morte? A carta que escreve aos jornais dá indícios de que ele faz isso deliberadamente, por exemplo, embora essa questão seja duvidosa.
Independente de questões sobre a perfeição (ou não) do roteiro, M é sim um filme completo. Além do clima de suspense, promovido evidentemente pela linguagem visual e pelo seu próprio tema sinistro, das maravilhosas interpretações (fora a figura do assassino, o filme não tem outro personagem forte: todos os coadjuvantes têm sua importância para contar a história), do estudo do comportamento humano, sobra ainda espaço para o humor, obviamente que de forma leve, quase invisível. Toda a cena em que os perseguidores da máfia perseguem o personagem de Lorre na fábrica vazia é uma grande piada, no bom sentido. Pelo menos pode ser vista desse jeito. Lá estão os 10 patetas (ou seja lá qual quantidade de pessoas for) tentando caçar um rato das formas mais absurdas possíveis, para não serem descobertos. E quando um deles é capturado pela polícia, momentos depois, a cena do interrogatório pode ser considerada no mínimo irônica: o gato virou o rato.
Fritz Lang, a frente do seu tempo, já acabara prevendo, de forma bem sutil, os problemas que o Nazismo traria para o mundo. M serve, porque não, como uma crítica sutil (não literal) a esse regime ditatorial que, anos mais tarde, aterrorizaria meio mundo. O diretor acabou sendo banido do seu próprio país, indo parar em Hollywood, onde fez alguns ótimos filmes, como o noir Os Corruptos, de 1953, considerado um dos melhores do gênero naquela década. Mesmo assim nunca conseguiu igualar novamente M. Clássico absoluto e necessário para se entender melhor esse cineasta dos mais importantes. Mais de sete décadas depois, seu filme ainda permanece impressionante.
Ficha Técnica:
Título no Brasil: M - O Vampiro de Düsseldorf
Título Original: M
País de Origem: Alemanha
Gênero: Ação / Suspense
Tempo de Duração: 111 minutos
Ano de Lançamento: 1931
Estúdio/Distrib.: Continental Home Vídeo
Direção: Fritz Lang
Elenco:
Peter Lorre ... Hans Beckert
Ellen Widmann ... Frau Beckmann
Inge Landgut ... Elsie Beckmann
Otto Wernicke ... Inspector Karl Lohmann
Theodor Loos ... Inspector Groeber
Gustaf Gründgens ... Schränker
Friedrich Gnaß ... Franz, the burglar
Fritz Odemar ... The cheater
Paul Kemp ... Pickpocket with six watches
Theo Lingen ... Bauernfänger
Rudolf Blümner ... Beckert's defender
Georg John ... Blind panhandler
Franz Stein ... Minister
Ernst Stahl-Nachbaur ... Police chief
Gerhard Bienert ... Criminal secretary
Karl Platen ... Damowitz, night watchman
Rosa Valetti ... Elisabeth Winkler, Beckert's landlady
Hertha von Walther ... Prostitute
Dados Do Arquivo
Tamanho: 700 MB
Qualidade: DVDRip
Legenda: Pt-Br
Título no Brasil: M - O Vampiro de Düsseldorf
Título Original: M
País de Origem: Alemanha
Gênero: Ação / Suspense
Tempo de Duração: 111 minutos
Ano de Lançamento: 1931
Estúdio/Distrib.: Continental Home Vídeo
Direção: Fritz Lang
Elenco:
Peter Lorre ... Hans Beckert
Ellen Widmann ... Frau Beckmann
Inge Landgut ... Elsie Beckmann
Otto Wernicke ... Inspector Karl Lohmann
Theodor Loos ... Inspector Groeber
Gustaf Gründgens ... Schränker
Friedrich Gnaß ... Franz, the burglar
Fritz Odemar ... The cheater
Paul Kemp ... Pickpocket with six watches
Theo Lingen ... Bauernfänger
Rudolf Blümner ... Beckert's defender
Georg John ... Blind panhandler
Franz Stein ... Minister
Ernst Stahl-Nachbaur ... Police chief
Gerhard Bienert ... Criminal secretary
Karl Platen ... Damowitz, night watchman
Rosa Valetti ... Elisabeth Winkler, Beckert's landlady
Hertha von Walther ... Prostitute
Dados Do Arquivo
Tamanho: 700 MB
Qualidade: DVDRip
Legenda: Pt-Br
058. O INIMIGO PÚBLICO (1931)
.
"O Inimigo Público" (The Public Enemy)
1931 – EUA - 84 min. – Preto e Branco – DRAMA
Direção: WILLIAM A. WELLMAN. Roteiro: ROBERT HARVEY F. THEW, baseado em texto homônimo de KUBEC GLASMON e JOHN BRIGHT.Fotografia: DEVEREAUX JENNINGS. Montagem: EDWARD M. MCDERMOTT.Música: DAVID MENDOZA. Produção: RRYL F. ZANUCK para WARNER BROS.
Elenco: JAMES CAGNEY (Tom Powers) JEAN HARLOW (Gwen Allen), EDWARD WOODS (Matt Doyle), JOAN BLONDELL (Mamie), BERYL MERCER (Sra. Powers), MAE CLARKE (Kitty), DONALD COOK (Mike Powers), LESLIE FENTON (Nails Nathan), ROBERT EMMETT O´CONNOR (Paddy Ryan) e MURRAY KINNELL (Putty Nose).
http://www.imdb.com/title/tt0022286/
Audio: Ingles
Legenda: Portugues
Qualidade de audio: 10
Qualidade de video: 10
Gênero: Policial/Clássico
Formato: RMVB
Tamanho: 284MB
Download: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3
Quando, no início dos anos 30, uma série de filmes de gângsters fundaram um novo gênero cinematográfico, logo houve protestos contra a glorificação desta figura do crime. No fundo, o gângster somente perseguia, ainda que utilizando-se de más práticas, os mesmos objetivos dos heróis e das pessoas de bem: êxito na esfera profissional e felicidade na vida particular. Realizar-se com o mínimo esforço e possuir um estilo de vida independente parecia fácil ao cowboy urbano. Tom Powers (James Cagney), um dos primeiros ícones do gênero (senão o primeiro), encarna este drama ambíguo do herói glorioso e do anjo caído. O filme mostra a trajetória criminosa do personagem com uma sensibilidade incomum ao relacionar sua evolução social e pessoal – inicia com um garoto de rua que pretende enfrentar as injustiças de uma época de crise econômica; segue com sua ascensão, como cúmplice e braço direit de diferentes mafiosos, convertendo-se em um assassino frio e dândi e, finalmente, sua queda.
A vida de Powers é mostrada como uma biografia Podemos perceber circunstâncias históricas, tais como os problemas que a industrialização e a nova orientação econômica provocaram no inicio do século passado nos Estados Unidos, a Primeira Guerra Mundial - em que participou Mike (Donald Cook), irmão de Tom – e os anos da Lei Seca, nos quais a proibição de bebidas alcoólicas fez um terreno fértil para a Máfia. A luta de sua mãe para criar os filhos - inimigos irreconciliáveis - a ausência do pai ou as relações instáveis do protagonista com seus pares cuidam de retratar com uma indiferença alarmante o fracasso do modelo tradicional da família.
Por outro lado, a liberdade com que Tom Powers burlando a lei e padrões sociais o colocam constantemente em situações delicadas, para não dizer precipitadas. Exemplo disso é quando ele, ao volante de seu automóvel de luxo junto com seu amigo e cúmplice Edward Woods (Matt Doyle), aborda de improviso em plena rua a atraente e misteriosa Gwen Allen (Jean Harlow), inicia uma aventura amorosa com ela e, também de improviso, coloca um ponto final no romance.
Apesar da agressividade contra as mulheres (por exemplo, quando Tom aperta com força o rosto de sua noiva), alguns elementos como o assassinato por vingança do gângster Putty Nose (Murray Kinnell), que lembra uma execução, ou as armas da mais moderna tecnologia, incluindo metralhadoras e granadas (que se tornaram ícones do gênero), trazem em cena uma qualidade até então desconhecida no cinema.
O mesmo ocorre com a linguagem visual arrebatadora do filme. Numerosos primeiros planos, a renuncia a planos gerais que possibilitam uma vista panorâmica, a alternância de cortes e um sem numero de tomadas realizadas por debaixo da perspectiva normal, que agigantam os personagens e as ações, provocam efeitos dramáticos extraordinários em uma atmosfera de constante insegurança e ameaça até chegar ao estranho final, no qual esse emocionante filme de gângsters quase beira o terror.
A vida de Powers é mostrada como uma biografia Podemos perceber circunstâncias históricas, tais como os problemas que a industrialização e a nova orientação econômica provocaram no inicio do século passado nos Estados Unidos, a Primeira Guerra Mundial - em que participou Mike (Donald Cook), irmão de Tom – e os anos da Lei Seca, nos quais a proibição de bebidas alcoólicas fez um terreno fértil para a Máfia. A luta de sua mãe para criar os filhos - inimigos irreconciliáveis - a ausência do pai ou as relações instáveis do protagonista com seus pares cuidam de retratar com uma indiferença alarmante o fracasso do modelo tradicional da família.
Por outro lado, a liberdade com que Tom Powers burlando a lei e padrões sociais o colocam constantemente em situações delicadas, para não dizer precipitadas. Exemplo disso é quando ele, ao volante de seu automóvel de luxo junto com seu amigo e cúmplice Edward Woods (Matt Doyle), aborda de improviso em plena rua a atraente e misteriosa Gwen Allen (Jean Harlow), inicia uma aventura amorosa com ela e, também de improviso, coloca um ponto final no romance.
Apesar da agressividade contra as mulheres (por exemplo, quando Tom aperta com força o rosto de sua noiva), alguns elementos como o assassinato por vingança do gângster Putty Nose (Murray Kinnell), que lembra uma execução, ou as armas da mais moderna tecnologia, incluindo metralhadoras e granadas (que se tornaram ícones do gênero), trazem em cena uma qualidade até então desconhecida no cinema.
O mesmo ocorre com a linguagem visual arrebatadora do filme. Numerosos primeiros planos, a renuncia a planos gerais que possibilitam uma vista panorâmica, a alternância de cortes e um sem numero de tomadas realizadas por debaixo da perspectiva normal, que agigantam os personagens e as ações, provocam efeitos dramáticos extraordinários em uma atmosfera de constante insegurança e ameaça até chegar ao estranho final, no qual esse emocionante filme de gângsters quase beira o terror.
"O Inimigo Público" (The Public Enemy)
1931 – EUA - 84 min. – Preto e Branco – DRAMA
Direção: WILLIAM A. WELLMAN. Roteiro: ROBERT HARVEY F. THEW, baseado em texto homônimo de KUBEC GLASMON e JOHN BRIGHT.Fotografia: DEVEREAUX JENNINGS. Montagem: EDWARD M. MCDERMOTT.Música: DAVID MENDOZA. Produção: RRYL F. ZANUCK para WARNER BROS.
Elenco: JAMES CAGNEY (Tom Powers) JEAN HARLOW (Gwen Allen), EDWARD WOODS (Matt Doyle), JOAN BLONDELL (Mamie), BERYL MERCER (Sra. Powers), MAE CLARKE (Kitty), DONALD COOK (Mike Powers), LESLIE FENTON (Nails Nathan), ROBERT EMMETT O´CONNOR (Paddy Ryan) e MURRAY KINNELL (Putty Nose).
http://www.imdb.com/title/tt0022286/
Audio: Ingles
Legenda: Portugues
Qualidade de audio: 10
Qualidade de video: 10
Gênero: Policial/Clássico
Formato: RMVB
Tamanho: 284MB
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057. LUZES DA CIDADE (1931)
Chaplin sempre fora considerado um dos grandes inconformistas do cinema. Pudera, sua trajetória no mundo cinematográfico aponta veementemente para isso: durante a década de 1920, fundara, juntamente com D. W. Grifth, a United Artists, estúdio de cinema cujo mote era a liberdade artística total de seus membros, anteriormente sofredores de represálias dos grandes chefões da indústria fílmica hollywoodiana. Alguns anos mais tarde, com o advento do cinema falado, Chaplin se negara durante exatos treze anos a deixar de fazer filmes mudos, fato que ocorrera apenas no ano de 1940, com O Grande Ditador. Ademais, ainda mergulhava suas obras em críticas severas ao sistema, às desigualdades e outros diversos problemas sociais - principalmente em sua maior obra-prima, o inigualável Tempos Modernos.
Apesar de todos estes fatos, que ilustram seguramente a afirmação feita na primeira sentença do texto, vocês hão de concordar comigo que, embora sempre trajara esse manto de rebeldia, de discórdia e de inconformismo, Chaplin não passava mesmo era de um romântico. Um romântico inveterado. Não apenas em relação ao amor, de pai para filho ou de homem para mulher, mas também no tocante ao modo de enxergar e viver a vida. E não há nada que comprove isso com tanta clareza quanto seu trabalho neste maravilhoso Luzes da Cidade, possivelmente uma das histórias de amor mais singelas e comoventes já mostradas no cinema.
Apontada por alguns como sendo sua obra-prima, essa produção de Chaplin é tão simples que, por outros, pode ser considerada até mesmo simplória e, no caso dessa pessoa possuir alguns traços de insanidade mórbida, ordinária. Porém, o filme passa longe, muito longe disso. É um conto de amor bastante simples, é verdade, mas construído com uma paixão tão intensa que se torna uma fita apaixonante e extremamente emocionante, como poucas feitas até os dias de hoje. Não obstante, também possui fortes traços da genialidade cômica que marcara todas as produções de Carlitos, acrescentando momentos verdadeiramente hilários em meio à trama doce, leve e deliciosamente comovente.
A história do filme utiliza-se do icônico personagem do Vagabundo, que, desta vez, se apaixona por uma florista cega. A moça, em razão de um mal entendido, acredita que ele seja rico, e Carlitos tentará fazer de tudo para manter essa “imagem”. Aproxima-se de um ricaço, que tentara suicídio e fora salvo por ele, e começa a utilizar-se de todas as suas regalias, procurando sempre encontrar um modo de ajudar a pobre moça, ora com dinheiro, ora com carinho. Ao descobrir que um médico havia descoberto a cura para a cegueira, Carlitos fará de tudo para conseguir o dinheiro necessário ao pagamento da operação, mesmo que, por isso, precise trabalhar ou até mesmo disputar uma luta de boxe.
Enquanto em Tempos Modernos Chaplin expressara toda sua ira “vermelha” acerca do regime capitalista, cujas características acabaram criando um colossal abismo entre a parte nobre e a proletária da sociedade (utilizada constantemente para expressar sua engajada crítica social), em Luzes da Cidade o gênio ainda demonstrava um amor transcendental a respeito do mundo, uma visão romantizada do ser humano - e, como já disse logo acima, da própria vida. É um filme que exala inocência e ternura em cada centímetro de celulóide (algo parecido com o que fez em O Garoto, mas englobando uma vertente diferente, desta feita o amor entre homem e mulher), sem deixar que o melodrama adentre suas entranhas e transforme tudo em um simplório emaranhado de cenas que visam à manipulação emotiva do espectador. Tudo é muito orgânico, e essa naturalidade é sentida na pele por quem assiste à obra.
Porém, a genialidade de Chaplin na composição do filme não se resume apenas ao equilíbrio emocional e à inocência de sua narrativa. Em Luzes da Cidade, um dos grandes méritos do diretor é a forma como consegue demonstrar fluência e, ao mesmo tempo, muita economia na transcrição de sua maneira de contar histórias, durante um período no qual o cinema passava por um momento de mudanças abruptas em sua composição. Tudo isso, vale lembrar - e remeter também à questão do inconformismo comumente empregado à persona de Chaplin, abordado pela pessoa que vos fala na introdução do texto em questão -, deve-se ao fato de que o diretor fora um dos autores que se propuseram a ir contra a introdução do som no cinema, mantendo, na concepção de suas obras, a estrutura utilizada na época do cinema mudo (que estava em plena borda da cova, pronto para ser enterrado).
Chaplin sabia que a figura que criara no cinema, e que já havia importado para todo o mundo como sendo sua marca registrada, era necessariamente uma cria do cinema mudo. Tentar imaginar uma voz ao inesquecível personagem do Vagabundo, um mímico por natureza, é como tentar imaginar asas em um macaco sem que, com isso, ele perca sua veracidade; ou seja, algo completamente descabido. Essa talvez tenha sido a principal razão para que Chaplin não incluísse em Luzes da Cidade (e, posteriormente, em Tempos Modernos), elementos de fala, sejam eles diálogos ou meras frases soltas. E é aí que chegamos ao mérito da questão, onde justamente se encontra a maior curiosidade (para mim) da obra: embora tenha renegado esse novo advento do cinema (o som), ele é importantíssimo para a funcionalidade do filme.
Luzes da Cidade seria, a exemplo de Tempos Modernos (este sim, um produto assumido do inconformismo, tanto na parte moral quanto na cinematográfica - onde Chaplin faz aquela que talvez seja sua maior crítica ao cinema falado, a canção de letra ininteligível que o Vagabundo canta em um cabaré), um elemento de transcrição na filmografia do diretor. Embora não tenha incluído sequer uma linha de diálogo durante toda a metragem da obra, Chaplin utilizara o som como um elemento imprescindível de sua narrativa, uma atitude que demonstrara sua inigualável inteligência. É só lembrar de uma das cenas com maior potencialidade cômica do filme, na qual Carlitos engole um apito, para constatarmos a grande influência dos efeitos sonoros no resultado final da obra.
Ou alguém aí acredita que a seqüência funcionaria caso não ouvíssemos o som estridente do apito enquanto o Vagabundo soluça, precisa se ausentar da glamourosa festa na qual freqüentava e, posteriormente, é atacado por cachorros? Certamente a falta do elemento sonoro desvirtuaria a cena, e tornaria seu significado extremamente dúbio ao espectador, já que é o tal apito que constitui grande parte dela - e não seria um inter-título explicando a cena que concederia graça ao momento sem a presença do som, que é a única característica do tal apito que poderia ser transmitida a quem assiste ao filme.
Mesmo assim, este não é o único momento da obra no qual Sir Chaplin incluíra passagens sonoras, ou melhor, elementos sonoros em meio à estrutura de filme mudo utilizada por ele para a composição do filme. A começar pela trilha-sonora, composta pelo próprio diretor, que pôde ser incluída diretamente na película e fazer parte de sua narrativa, acrescendo ainda mais em charme romântico a história que, por si só, já é um trabalho de encher os olhos de lágrimas. É uma música belíssima, da qual seus acordes certamente permearão a mente do ouvinte durante um bom tempo. Mas, afora a música, outro bom exemplo é a cena da luta de boxe, onde a campainha de chamada também é simbolizada pelo som - e começa a tocar incessantemente depois que Chaplin tenta ficar abraçado ao seu adversário, ao juiz e a praticamente todos os envolvidos na luta.
Enfim, Luzes da Cidade não apenas é o filme mais comovente de Chaplin (em especial por sua cena final, da qual ainda não havia comentado, mas que é uma das mais deliciosas já filmadas pelo diretor, passando uma sensação de esperança apaixonante e extremamente singular - que faz parte da supracitada visão romantizada da vida, vale dizer), como também uma das fitas mais importantes de sua carreira. Servindo como uma espécie de marco em sua filmografia, já que é a primeira obra feita por ele após o advento do cinema sonorizado e falado, também serve para demonstrar que a insistência de Chaplin em não aderir aos “talkies” não era pura implicância, mas sim uma escolha fundamental na carreira de um dos mais relevantes artistas do século passado, e, por que não, de toda a história. Uma demonstração de inteligência pura que só poderia ser provinda da mente de um gênio como o homem em questão.
Elenco:
Charles Chaplin (Vagabundo)
Virginia Cherrill (Florista cega)
Florence Lee (Avó)
Harry Myers (Milionário excêntrico)
Hank Mann (Boxeador)
T.S. Alexander (Médico)
Harry Ayers (Policial)
Al Ernest Garcia
Informações Técnicas:
Título Original: City Lights
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 87 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1931
Estúdio: Charles Chaplin Productions
Distribuição: United Artists
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Produção: Charles Chaplin
Música: Charles Chaplin e José Padilla
Fotografia: Mark Marklatt, Gordon Pollock e Roland Totheroh
Direção de Arte: Charles D. Hall
Edição: Charles Chaplin
Curiosidades:
Charles Chaplin (Vagabundo)
Virginia Cherrill (Florista cega)
Florence Lee (Avó)
Harry Myers (Milionário excêntrico)
Hank Mann (Boxeador)
T.S. Alexander (Médico)
Harry Ayers (Policial)
Al Ernest Garcia
Informações Técnicas:
Título Original: City Lights
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 87 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1931
Estúdio: Charles Chaplin Productions
Distribuição: United Artists
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Produção: Charles Chaplin
Música: Charles Chaplin e José Padilla
Fotografia: Mark Marklatt, Gordon Pollock e Roland Totheroh
Direção de Arte: Charles D. Hall
Edição: Charles Chaplin
Curiosidades:
- Era o filme favorito do diretor Orson Welles.
- Charles Chaplin rodou 342 vezes a cena em que o vagabundo compra uma flor da florista cega. O motivo de tantas repetições foi que Chaplin não conseguia encontrar um modo satisfatório de mostrar que a florista achava que o vagabundo era na verdade um milionário.
- Perto do fim das filmagens Chaplin demitiu a atriz Virginia Cherrill após ela chegar atrasada aos sets de filmagens. Era intenção de Chaplin rodar novamente todas as cenas de Cherril com a atriz Georgia Hale em seu lugar. Chaplin chegou a rodar algumas cenas com Georgia Hale, mas logo percebeu que se fosse rodar todas as cenas já prontas novamente teria um custo adicional que levaria sua produtora à falência. Deste modo ele decidiu por recontratar Cherrill, que apenas aceitou retornar ao trabalho após ganhar um aumento de 100% em seu salário.
Dados do Arquivo:
Formato: Rmvb
Qualidade: DVDRip
Áudio: Inglês
Legendas: Português/BR
Duração: 1:22
Tamanho: 535 MB
Dividido em 06 Partes
Formato: Rmvb
Qualidade: DVDRip
Áudio: Inglês
Legendas: Português/BR
Duração: 1:22
Tamanho: 535 MB
Dividido em 06 Partes
056. FRANKENSTEIN (1931)
Claro que Frankenstein não causa hoje o mesmo furor que causou na década de 30, quando foi lançado. Porém, se analisarmos a importância do filme para o gênero horror, fica impossível negar o status de obra-prima a esta fita. Vendo pelo olhar atual, pode parecer bobo e clichê, mas aos lentos passos da evolução, podemos dizer que, de clichê, ele não tem nada; muito pelo contrário, sendo um dos primeiros a adaptar a ousada obra de Mary Shelley para as telonas, em uma iniciativa muito positiva daUniversal, a série de filmes de monstros do estúdio acabou sendo o formador de tais clichês, muitos copiados, poucos igualados.
A história vem do livro clássico de Shelley escrito em 1816, quando a autora tinha apenas 19 anos, baseado em um sonho que tivera aos 18. Dr. Henry Frankenstein (Colin Clive) está recluso em seu castelo, ao contrário do que seu pai, Baron Frankenstein (Frederick Kerr), e sua bela noiva, Elizabeth (Mae Clarke), desejam. Tentando fazer com que ele volte para casa, eles não imaginam a experiência insana que o doutor está fazendo em seu laboratório: recriar a vida através de um corpo todo costurado, com vários pedaços de diversas pessoas. O problema é que o cérebro roubado para a experiência é de um ex-assassino, o que torna o novo vivo um verdadeiro perigo para a sociedade.
O terror de Frankenstein não está no explícito, mas sim nos textos subentendidos através das palavras ou ações. O ato de abertura do filme, em que uma pessoa vem e diz sobre o horror contido na obra, já preparava o público para o que vinha a seguir – e, da sua forma, já tornava tudo mais assustador. Um dos momentos mais fortes é quando o doutor, na presença de sua amada e de seu cunhado, explica que sua criação é feita de pedaços de várias pessoas. Em contraponto, nos momentos onde o horror tenta ser mais explícito, como quando o Frankenstein fica no mesmo quarto de Elizabeth ou então no final, com o boneco sendo jogado do moinho em fogo, fardaram o longa ao tempo.
Só que, naquele tempo, isso era suficiente para fazer as pessoas sentirem medo. Enquanto hoje o ultra-realismo é usado para personificar cada morte e fazer o público ter medo, em Frankenstein não era necessário isso. Ao mesmo tempo em que era um dos primeiros a brincar com o medo do público no cinema falado (o cinema mudo possui suas obras-primas do gênero; muito mais chocantes, por sinal), o seu poder como arte está nos pequenos detalhes, nos singelos movimentos: maltratado pelo criado do doutor, quando Frankenstein vê a criança, sua vontade era apenas brincar, e não fazer o que fez.
Fora que a belíssima direção de James Whale (que tem até um filme sobre sua vida, chamado Deuses e Monstros) contribui para que o trabalho, além de tudo, seja incrivelmente belo. Nessa mesma cena da menina, a paisagem ao fundo é simplesmente explêndida, fora os enquadramentos, que já são de uma composição invejável para o período pré Cidadão Kane. E o filme parecia estar mesmo predestinado a se tornar clássico, uma vez que o personagem se tornou imortal para a história do cinema (todos o relacionam à caracterização deste filme, seja em homenagens, desenhos, sátiras, etc), além de uma série de seqüências clássicas – a minha preferida é quando o doutor, enlouquecido pelo sucesso de sua experiência, começa a gritar a frase que iniciou esta análise; outra também bastante legal (e arrisco dizer que pode ter sido chupada de O Encouraçado Potemkin) é quando o pai, horrizado pela morte da filha, caminha com ela nos braços pelo meio da cidade.
O filme também traz alguns aspectos ilógicos, claramente forçados para romantizar toda a experiência ao público. Como explicar, por exemplo, as mortes tão simples dos coadjuvantes e como os protagonistas, que sofreram ataques muito mais graves, sobreviveram? E outra, se Maria se afogou, como todo mundo pode afirmar que ela foi assassinada? Isso é claramente uma deixa, que o autor nos induz através da afirmação de um personagem, para que a caçada ocorra, e não um fato que tem um backgroundconvincente para que possamos acreditar no que foi dito – uma preocupação que não existia na época; um aperfeiçoamento do roteiro que veio com o tempo.
O que sobra nos dias de hoje é a sua fonte de pesquisa como cinema, pois como entretenimento, especialmente como horror e suspense, claro que existem melhores opções. Sua característica mais marcante, a personificação do monstro em si (apresentando o ator como ? na abertura, mas dando os devidos créditos a Boris Karloff no final), pode não ser real como nos dias de hoje, mas é a caricatura perfeita do charme de uma era que não existe mais.
por Rodrigo Cunha
055. DRÁCULA (1931)
Drácula, lançado em 1931 (mesmo ano de Frankenstein), é baseado na obra-prima de Bram Stoker e na peça escrita por Hamilton Deane para a Broadway, em 1927; já um dos meus filmes preferidos da época. É impressionante como o tempo passou e há tantas características clássicas na obra, e mesmo assim ela continua tão bela e forte. Se deixou de ser aterrorizante pelas inúmeras cópias e versões ao longo do tempo, pelo menos continua incômoda e mantém muitas e muitas características marcantes que o definiram como símbolo de uma geração.
Conde Drácula é um vampiro que mora em um castelo, na Transilvânia, com três esposas. Ele decide se mudar para Londres, onde conhece Mina e resolve transformá-la em uma morta-viva. Porém, ele não contava com a inteligência e a crença do doutor Van Helsing (que nada tem a ver com a recente caracterização de Hugh Jackman), um velho destemido a estragar os planos do perverso vampiro.
Toda aquela história clássica está por aqui: o medo de crucifixos, a marca dos dentes nos pescoços, a estaca de madeira que deve ser enfiada no peito, a metamorfose para morcego e lobo, etc. Uma coisa que o público pode sentir falta são os dois caninos do vampirão, que simplesmente não aparecem no longa. Mas há uma explicação para isso:trabalhando de forma incrivelmente eficiente com o subentendido, a obra estabelece contato com a imaginação de quem quer que esteja assistindo ao filme – e isso cria um clima muito mais competente do que o monstro correndo atrás de alguém (como no final de Frankenstein). E, nesse tipo de filme, clima é tudo.
Além do mais, a obra acerta ao não apressar as coisas: tudo é lento, pensado, onde cada movimento está no seu tempo certo. Somado à falta de som, cria um clima pesado, onde tudo o que está sendo mostrado na tela não soa ridículo. Mérito também da convincente direção de arte, na hora de criar lindos cenários sujos, e da fotografia, que os ilumina de maneira amedrontadora, com várias sombras aderindo-se aos cenários de forma quase expressionista (só que com formas bem definidas). Há ainda umas duas ou três seqüências em locação, algo que é infinitamente mais agradável do que ver aqueles cenários mal feitos de paisagens abertas. O filme ainda pega emprestado alguns planos de filmes mudos, como, por exemplo, a pessoa falar “este crucifixo” e aparecer, estático na tela, um crucifixo na mão de alguém. Vestígios de um cinema que ainda estava se acostumando a falar.
Agora, tudo poderia ir por água abaixo caso o homem no papel principal de Conde Drácula não fosse convincente o suficiente. Revivendo o papel que havia feito nos palcos da Broadway por míseros 500 dólares semanais (culpa da recente depressão que os Estados Unidos vinham se recuperando; e pensar que ele recusou o papel de monstro em Frankenstein porque o personagem não tinha falas), Bela Lugosi dá vida a um dos maiores ícones que o cinema já viu. Drácula, com seu charme macabro e olhar fixo dominador, não precisa de exagero de sangue, de violência e nem de dentes gigantescos para marcar presença. O seu timming é perfeito e cada movimento é milimetricamente encaixado para dar características ao personagem: veja, por exemplo, a mão contorcida quando Drácula levanta de seu caixão, ou então o jeito de olhar, com os olhos abertos em tamanhos diferentes, quando ele está fixo em alguém.
Mas não é apenas o personagem principal que brilha ao criar uma figura bizarra e, até os dias de hoje, incômoda. Dwight Frye causa arrepios com seu mal compreendido Renfield, de olhos esbugalhados e sorriso macabro no rosto. Suas ações são sempre convincentes e, se não causa mais medo, é impossível não sentir um certo incômodo com seu personagem. Já Helen Chandler, que ganhou um papel que poderia ter sido de Bette Davis, ficou com a personagem Mina, a jovem que Drácula quer transformar em morta-viva, e apesar de não brilhar como os outros dois destacados, nos faz temer pelo futuro da personagem – outro ponto fortíssimo de Drácula e que não existia em Frankenstein; aqui não sabemos o que vai acontecer ou não com a personagem, enquanto na obra do grandão costurado temos sempre a certeza da salvação.
Lógico que há defeitos: o final é simples demais, dando uma idéia de que tudo era mais fácil do que parecia ser na verdade. Mas são meros detalhes perto de uma obra muito mais grandiosa. Alguns o fadaram ao tempo, mas não podemos condenar a obra por ter sido tão copiada, satirizada e recriada. Preservando o clima ainda perturbador, o importante é que ela ainda consegue causar deslumbramento, mesmo com tantos anos já passados desde sua realização. É uma obra-prima do horror gótico que vence o explícito com a mais profunda sutileza.
Observação: O filme continha uma seqüência de abertura alertado para o terror contido na obra, igualzinho a Frankenstein, mas essa passagem foi retirada da versão em 1936. Hoje, essa pequena seqüência foi perdida com o tempo.
por Rodrigo Cunha
DRÁCULA (1931)
GÊNERO: CLÁSSICO/TERROR
ÁUDIO: INGLÊS
LEGENDA: PORTUGUÊS
TAMANHO: 250 MB
FORMATO: RMVB
GÊNERO: CLÁSSICO/TERROR
ÁUDIO: INGLÊS
LEGENDA: PORTUGUÊS
TAMANHO: 250 MB
FORMATO: RMVB
054. LIMITE (1931)
Na seqüência de abertura, Limite (1931, de Mário Peixoto) parece um filme sem fim. Sob a primeira impressão, produz a sensação de infinitude, onde, em fusão, uma imagem se sucede a outra, e a outra, e a banda sonora contribui para uma situação, aparentemente, interminável, ainda que, paradoxalmente, finita. O que, de início, coloca em conflito a percepção, já que entramos em um jogo onde a matéria não dialoga, semanticamente, com o significado. Principalmente, porque, no decorrer de quase dez minutos, o que vemos são imagens terminais, uma realidade prestes a desaparecer ou, literalmente, naufragar: a imagem e a realidade de sujeitos à deriva – um homem e duas mulheres, visivelmente, náufragos, perdidos na imensidão do mar e presos aos limites de um barco. Assim, o objeto interminável se realiza não apenas no plano da materialidade fílmica, mesmo que, a princípio, o encadeamento de planos em abismo colabore para esta sensação de filme interminável – abutres sobre uma montanha, certamente, devorando alguma carniça dão lugar ao rosto de uma mulher com braços de um homem algemados por sobre seus ombros e, depois, apenas as mãos algemadas para, em seguida, o quadro ser preenchido pelos olhos fixos de uma mulher em direção a câmera.
Por diversos motivos, Limite é um filme tomado por uma certa aura mítica, que o torna unânime, absoluto e quase intocável. Portanto, indissociável das representações dos que o viram algum dia e, também, dos que nunca chegaram a ver suas imagens, constituindo-se num daqueles casos não tão raros na história do cinema: “amado por todos e visto por poucos”. Filme vinculado a um conjunto de construções mentais envolvendo a realização de uma obra por um jovem, pasmem, de apenas vinte e um anos de idade, que, independente das evidências, afirmava ter nascido em Bruxelas, Bélgica, em 1908, quando as provas diziam ser originário da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil. Tomado, ao mesmo tempo, pela mítica da projeção única organizada pelo Chaplin Club, no Rio de Janeiro, em 1931, por sua não comercialização nas salas de cinema da época e por sua permanência no decorrer dos anos e das décadas em coleções privadas e arquivos públicos. Neste mês de maio, a mítica Limitechega ao Festival de Cannes, quando o diretor brasileiro Walter Salles o apresentar aCroissette por ocasião do lançamento oficial da World Cinema Foundation – associação sem fins lucrativos cujo objetivo é ajudar economicamente a preservação, a restauração e a difusão de filmes de todas as partes do mundo.
Independentemente de sua mítica, veneração e reconhecimento internacional, Limite aponta para nuances que, a cada seqüência, potencializa um cinema preso, sobretudo, a sua verdade, a realidade de sua câmera e de seu olhar sobre o mundo histórico. Praticamente, do início ao fim, Limite constrói o seu próprio paradigma, quando, ao intensificar e ampliar o drama de seus personagens, trabalha sobre um conjunto de imagens que diz respeito apenas a si mesmo. Impressiona como, mesmo diante da força e do poder da imagem de sujeitos à deriva isolados nos limites de um barco em pleno oceano, Mário Peixoto, cartograficamente, desloca a câmera sobre o espaço de seus personagens náufragos. Assim, a sensação, em Limite, é a de um filme cuja dimensão pertence, eminentemente, ao campo do cinema, voltada, única e exclusivamente, para a realidade que nasce e se desenvolve dentro da câmera. Proposição latente quando, por sua vez, a câmera se desloca dos corpos para o remo e, depois, para as bordas do barco, como se, apesar da desolação humana, a única realidade que importasse ao filme fosse apenas pedaços de madeiras, o balanço da barcaça e seus personagens – no entanto, como mais um dos objetos diante da consciência da câmera que gesta o seu próprio mundo.
Perdido no tempo durante décadas, quase integrando à assombrosa estatística do cinema mudo, onde, praticamente, 80% dos seus filmes desapareceram, Limite é resultado de nascimentos e mortes constantes. Desde o início, sua trajetória foi percorrida por poucos e marcada por algumas sessões especiais, como a programada para Orson Welles e Maria Falconetti. Em deterioração, depois que, em Londres, Sergei Eisenstein, supostamente, escreveu um artigo elogiando seu alcance cinematográfico e, no Rio de Janeiro, Georges Sadoul o nomeou como a “obra-prima desconhecida”, Limite começou a ser restaurado por Saulo Pereira de Mello e Plínio Süssekind, em 1959. Com isso, ninguém mais o viu até final da década de 70, o que contribuiu para a gestação do mito. Como obra inicial, realizada por um jovem que, nos anos 20, viveu no Velho Mundo, Limite resultou da associação de imagens, físicas e mentais. Passeando pelas ruas de Paris, Mário Peixoto se deparou com a fotografia de André Kertesz na edição #74 da revista VU (o rosto de uma mulher com mãos de um homem acorrentadas por sobre seus ombros) e, imediatamente, a associou a outras imagens que perseguiram seu pensamento no decorrer da noite (um mar de fogo com uma mulher agarrada no pedaço de madeira do resto de um barco).
Como imagem emblemática da solidão e desolação humana, da angustia de indivíduos em silêncio diante de suas limitações e impossibilidades, o barco à deriva com um homem e duas mulheres inertes em seu espaço diminuto, permanentemente, vem à tona. Intercalando a história de cada personagem que, aparentemente, nasce de memórias naúfragas, torna-se uma imagem recorrente e, a cada aparição, sentimos a força de sua presença como uma adaga, o poder da morbidez daqueles corpos inertes e o peso de cada passo, ação e olhar. Assim, Mário Peixoto a transforma em leitmotiv e a intensifica com a crueldade e secura da melancolia da música de Erik Satie que, a seu modo, constitui-se em outra recorrência estrutural e, cinematograficamente, fundamental para a infinitude que nos toma de assalto. Sem essa música (Gymnopedie N. 3), quando as exibições de Limite, literalmente, o tornavam um filme mudo, fico me perguntando como eram as sessões sem a sincronia entre imagem e som, a profundidade do olhar da personagem de Olga Breno e a sonoridade que entra por nossas veias. Mas, enfim, entre uma inserção e outra, o que se recorda e, em quadro, configura-se em seqüência são os deslocamentos de corpos por uma vila litorânea e campos de árvores secas e habitações abandonadas.
A cada deslocamento, quando, com a ajuda do carcereiro, uma das personagens sai da prisão e, em direção a sua casa, vemos outra jovem caminhar por ruas em silêncio e vazias com uma cesta de peixes a mão, a câmera de Edgar Brazil se comporta como um observador externo. Sob o comando de Mário Peixoto, a dimensão da câmera não utiliza como parâmetro a dimensão humana, pois o trabalho de angulação busca outros domínios (por exemplo, ao segurar por um certo tempo a imagem em ângulo ascendente de uma casa quando, por ela, a personagem passa e o quadro permanece) e, sutilmente, ajusta-se a outros vieses óticos (seja por sobre um poste observando o mundo de outra maneira, entre personagens em plongée s observá-los em plano ascendente ou em forma obliqua visando uma rua ao avesso ou a mulher que caminha pelo mundo rural). A realidade de suas lentes que, em nenhum instante, reproduz o mundo histórico através de um enredo, chega ao extremo, quando, fisicamente, acompanha a moça que sai da cadeia poela estrada deserta. Aparentemente acessório de um registro, a câmera se desloca ao mesmo tempo em que a personagem se movimenta. Repentinamente, esta sai de quadro e, como se tivesse vida própria, a câmera avança solitária tendo apenas o horizonte à frente para, em seguida, procurar o objeto de sua observação posta sobre a cerca de arame.
Independente como recurso narrativo, a câmera, a cada seqüência, centra seu foco na realidade de seu mundo, observando e construindo personagens e ações dentro da perspectiva, eminentemente, cinemática. Portanto, ao avançar e recuar, insistentemente, em direção ao chafariz e intensificar a dor da personagem de Taciana Rei no desespero de seu olhar para a infinitude do mar, o trabalho de Mário Peixoto nos dá sempre a certeza de que estamos diante de um filme e não de uma história. Em seu bojo, os homens se transformam em fantasmas, silhuetas e sombras, quando, próximo ao final, a cadeira em um cômodo se torna o ponto central da cena, da mesma forma que, em outros momentos, o vento varre uma rua deserta tomada por chapéus correndo sobre suas calçadas, uma janela e porta se fecham, o esqueleto de galhos e árvores secas, o casco e a hélice e leme de um barco. No entanto, emLimite, é como filme antigo que se impõe o mito da obra –fisicamente, riscada pelo tempo e marcada por cenas ausentes. A inserção, num dado momento, da cartela que substitui e informa a ação inexistente no negativo nos toca tão fortemente quanto o poder da imagem do barco à deriva, onde todos os corpos são inertes em suas limitações, incapazes de parar a moagem do tempo e a memória recorrente como os abutres que abrem e encerram o filme.
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053. O MILHÃO (1931)
Tal como fizera um ano antes com Sob os Tetos de Paris, René Clair soube tirar proveito das inovações técnicas aportadas pelo advento do som no cinema e lançou, em 1931, O Milhão, comédia musical nitidamente influenciada pelo que Rouben Mamoulian e Ernst Lubitsch estavam fazendo nos Estados Unidos e da qual seriam pressentidas algumas idéias empregadas depois pelos irmãos Marx e por demais grandes nomes do gênero. Desta vez, Clair estava interessado em produzir algo mais leve, engraçado e comercial. Pode-se dizer que ele foi bem-sucedido: O Milhão se tornou grande sucesso e logo receberia elogios rasgados dos críticos.
A trama se desenrola em um único dia: um enorme flashback nos faz conhecer o artista plástico Michel, jovem afogado em dívidas que, num golpe de sorte, descobre ser o ganhador da loteria. No entanto, o bilhete premiado encontra-se no bolso de um casaco que sua namorada acaba de vender a um trambiqueiro; este repassa o vestuário a um cantor de ópera que irá vestir o paletó como fantasia em sua apresentação de Il Trovatore, naquela mesma noite, em Paris. Clair acompanha “Michel &cia.” na corrida amalucada atrás da peça de roupa em seqüências plenas de sacadas inteligentes e humor de sobra, como o contra-plano do casal escondido no teatro, em que os diálogos são inaudíveis e substituídos pelas canções românticas encenadas a poucos metros, ou a cena da disputa pelo casaco nas coxias, rodada como um jogo de futebol americano, o barulho da torcida ao fundo.
Há uma sensação de envelhecimento na obra, sem dúvida. Em todo caso, O Milhão continua tendo seu charme e fluidez intactos. A busca desenfreada do elenco pelo bilhete de loteria faz lembrar de leve o arrastado Deu a Louca no Mundo, de Stanley Kramer, mas Clair, embora artista bem mais amarrado à concepção visual de seus projetos, opta pela simplicidade. A câmera passeia com delicadeza pelos cenários, todos lindíssimos, a começar pela imagem inicial de prédios à noite — com tendência ao expressionismo alemão, com o uso e abuso de linhas tortas — passando pelo palco do teatro lírico. É com esse mesmo apuro panorâmico que o cineasta construiria, naquele mesmo ano, seu trabalho mais célebre, A Nós a Liberdade, que finalmente pude conferir alguns dias atrás. Este teria influência direta no Tempos Modernos, de Chaplin. Desse modo percebe-se a engenhosidade de um homem que estava sempre à frente de sua época.
http://www.imdb.com/title/tt0022150/
A trama se desenrola em um único dia: um enorme flashback nos faz conhecer o artista plástico Michel, jovem afogado em dívidas que, num golpe de sorte, descobre ser o ganhador da loteria. No entanto, o bilhete premiado encontra-se no bolso de um casaco que sua namorada acaba de vender a um trambiqueiro; este repassa o vestuário a um cantor de ópera que irá vestir o paletó como fantasia em sua apresentação de Il Trovatore, naquela mesma noite, em Paris. Clair acompanha “Michel &cia.” na corrida amalucada atrás da peça de roupa em seqüências plenas de sacadas inteligentes e humor de sobra, como o contra-plano do casal escondido no teatro, em que os diálogos são inaudíveis e substituídos pelas canções românticas encenadas a poucos metros, ou a cena da disputa pelo casaco nas coxias, rodada como um jogo de futebol americano, o barulho da torcida ao fundo.
Há uma sensação de envelhecimento na obra, sem dúvida. Em todo caso, O Milhão continua tendo seu charme e fluidez intactos. A busca desenfreada do elenco pelo bilhete de loteria faz lembrar de leve o arrastado Deu a Louca no Mundo, de Stanley Kramer, mas Clair, embora artista bem mais amarrado à concepção visual de seus projetos, opta pela simplicidade. A câmera passeia com delicadeza pelos cenários, todos lindíssimos, a começar pela imagem inicial de prédios à noite — com tendência ao expressionismo alemão, com o uso e abuso de linhas tortas — passando pelo palco do teatro lírico. É com esse mesmo apuro panorâmico que o cineasta construiria, naquele mesmo ano, seu trabalho mais célebre, A Nós a Liberdade, que finalmente pude conferir alguns dias atrás. Este teria influência direta no Tempos Modernos, de Chaplin. Desse modo percebe-se a engenhosidade de um homem que estava sempre à frente de sua época.
http://www.imdb.com/title/tt0022150/
052. A NÓS A LIBERDADE (1931)
Direção: René Clair
Roteiro: René Clair
Fotografia: Georges Périnal
Música: Georges Auric
Montagem: René Le Hénaff, René Clair
Direção de Arte: Lazare Meerson
Elenco: Henri Marchand, Raymond Cordy, Rolla France, Paul Olivier, Jacques Shelly, Germaine Aussey, André Michaud, Léon Lorin
Fugitivo da prisão torna-se rico industrial; o companheiro de fuga, que havia sido recapturado, ao terminar de cumprir a pena vai trabalhar com ele e o ajuda a livrar-se da polícia; os dois acabam entregando a fábrica aos operários e tornam-se felizes vagabundos. Sem dúvida, essa sátira à produção em massa influenciou Chaplin para realizar seu Tempos Modernos(36). Um belo poema em louvor à liberdade.

A máquina contra os ideais humanos
Em A Nós a Liberdade, René Clair satiriza a indústria que reduz o homem ao nível da máquina e isso foi uma fonte inequívoca de influência para o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, feito cinco anos depois. Dois companheiros de fuga de prisão são os protagonistas desta bela e inteligente comédia musical. Um, interpretado pelo simpático Raymond Cordy, que sobe rápida e habilmente no intrincado mundo industrial. O outro, Henri Marchand, perambula inocentemente pela narrativa, querendo aceitar o inesperado. Aproveitando o talento do brilhante diretor de arte Lazare Meerson, Clair usa o vasto complexo industrial em sua totalidade, transformando-o num palácio maravilhoso, cheio de salas para caçadas e brincadeiras.


A música alegre e despreocupada de Georges Auric sublinha o filme, e a câmara de Georges Perinal explora as superfícies brancas e grandes da super-fábrica e o brilho das suas paredes. Mas a excelente técnica empregada no filme é apenas uma moldura para a crítica à pomposidade e a processos técnicos desumanos. Com este filme, o diretor defende o estabelecimento de valores essenciais e faz uma apreciação sem concessões das incoerências do ser humano. O mundo é retratado pelos olhos de dois personagens com visões diametralmente opostas. Talvez a idéia de utopia apresentada por Clair em A Nós a Liberdade seja primitiva, inocente e impraticável, mas continua sendo um ideal muito caro a todas as pessoas sensíveis. Fonte - Guia Vídeo 1990 Nova Cultural.
Formato: RMVB
Áudio: Francês
Legendas: Português (embutidas)
Duração: 1:23
Tamanho: 295 MB (03 partes)
Servidor: Rapidshare
http://rapidshare.com/files/111600267/ANLaLiberte.1931.DD.FARRA.part1.rar.html
http://rapidshare.com/files/111610072/ANLaLiberte.1931.DD.FARRA.part2.rar.html
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Roteiro: René Clair
Fotografia: Georges Périnal
Música: Georges Auric
Montagem: René Le Hénaff, René Clair
Direção de Arte: Lazare Meerson
Elenco: Henri Marchand, Raymond Cordy, Rolla France, Paul Olivier, Jacques Shelly, Germaine Aussey, André Michaud, Léon Lorin
Fugitivo da prisão torna-se rico industrial; o companheiro de fuga, que havia sido recapturado, ao terminar de cumprir a pena vai trabalhar com ele e o ajuda a livrar-se da polícia; os dois acabam entregando a fábrica aos operários e tornam-se felizes vagabundos. Sem dúvida, essa sátira à produção em massa influenciou Chaplin para realizar seu Tempos Modernos(36). Um belo poema em louvor à liberdade.
A máquina contra os ideais humanos
Em A Nós a Liberdade, René Clair satiriza a indústria que reduz o homem ao nível da máquina e isso foi uma fonte inequívoca de influência para o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, feito cinco anos depois. Dois companheiros de fuga de prisão são os protagonistas desta bela e inteligente comédia musical. Um, interpretado pelo simpático Raymond Cordy, que sobe rápida e habilmente no intrincado mundo industrial. O outro, Henri Marchand, perambula inocentemente pela narrativa, querendo aceitar o inesperado. Aproveitando o talento do brilhante diretor de arte Lazare Meerson, Clair usa o vasto complexo industrial em sua totalidade, transformando-o num palácio maravilhoso, cheio de salas para caçadas e brincadeiras.
A música alegre e despreocupada de Georges Auric sublinha o filme, e a câmara de Georges Perinal explora as superfícies brancas e grandes da super-fábrica e o brilho das suas paredes. Mas a excelente técnica empregada no filme é apenas uma moldura para a crítica à pomposidade e a processos técnicos desumanos. Com este filme, o diretor defende o estabelecimento de valores essenciais e faz uma apreciação sem concessões das incoerências do ser humano. O mundo é retratado pelos olhos de dois personagens com visões diametralmente opostas. Talvez a idéia de utopia apresentada por Clair em A Nós a Liberdade seja primitiva, inocente e impraticável, mas continua sendo um ideal muito caro a todas as pessoas sensíveis. Fonte - Guia Vídeo 1990 Nova Cultural.
Formato: RMVB
Áudio: Francês
Legendas: Português (embutidas)
Duração: 1:23
Tamanho: 295 MB (03 partes)
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