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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

061. O VAMPIRO (1932)


Em que gênero podemos colocar O Vampiro(“Vampyr” França / Alemanha, 1932, dir.: Carl Theodor Dreyer)? Será um filme de terror? De mistério? De fantasia? Um filme surreal, expressionista ou de qualquer outra vanguarda da moda? Qualquer uma dessas classificações tornaria o filme menor do que é, pois ele vai muito além de qualquer gênero narrativo ou estético particular. Por isso, vamos dizer apenas que Vampyr é um filme de poesia. Poesia lírica. Ponto.
Mas, afinal, o que é esse chamado cinema de poesia? As definições de poesia são muitas (assim como as suas qualidades), por isso, estou longe de pretender dar uma explicação definitiva; mesmo assim, eis o que eu sinto: cinema de poesia (assim como a própria poesia literária) é aquele dotado de uma linguagem e de uma atmosfera líricas (sem ser necessariamente subjetivas, pois sabemos que um poema “objetivo” pode ser profundamente lírico; leia-se A Maçã, de Manuel Bandeira, e O Elefante, de Carlos Drummond de Andrade, dentre muitos outros exemplos desses e de outros poetas), carregadas de figuras de linguagem (metáforas, metonímias, antíteses, hipérboles, etc), rimas visuais, aliterações e assonâncias “visuais” (a repetição de certos elementos), uma cadência rítmica quase musical. Mas também há recursos estilísticos não-literários, especificamente cinematográficos, que fazem a poesia de um filme: a maneira como a câmera capta de maneira meditativa o tempo e o espaço, procurando sempre a fotogenia de todas as coisas. O que é fotogenia?

O cinema de poesia é prenhe de um conteúdo que transcende o cotidiano (sem o desprezar), manifesto em uma forma que foge o máximo possível do prosaico, do descritivo, do narrativo, ainda mais do dissertativo. A poesia não tem Razão; sua lógica é outra. A poesia sugere, intui, estabelece associações e correspondências que fazem parte da natureza do pensamento primitivo, mágico, mítico, religioso, e, finalmente, artístico. Tal é o cinema de poesia.
A epígrafe de Vampyr bem que poderia ser a maravilhosa frase de Abel Gance: “O cinema é a música da luz”. É exatamente o que vemos na tela. A luz canta e dança, junto com as sombras. A fotografia poética de Rudolph Maté e a iluminação onírica lembram Limite (1931), de Mário Peixoto, também profundamente poético e metafísico.
Ao lado da luz, que parece dotada de vida e vontade próprias, animada – dotada de anima = ânimo / alma –, temos, na película de Dreyer, as sombras, definitivamente animadas e independentes. É belo e clássico o baile das sombras fantasmagóricas. Vem-me imediatamente à cabeça as “sombras elétricas” (que é como os chineses primeiro chamavam o cinema). Sombras elétricas = almas elétricas. É a própria alma do cinema. Essas sombras com vida própria são autênticos espíritos (o assombrado), ou, numa chave psicológica, representações do inconsciente ou do seu lado mais “obscuro”; a sombra que cada um carrega dentro de si. No filme, ocorre o embate entre os poderes da luz (os vivos) e os da sombra (os mortos-vampiros), ambos possuidores de grande força anímica.
Vampyr é uma grande expressão do espírito romântico europeu. Mostra as aventuras do jovem Alan Gray, especialista em demonologia, a quem o próprio filme chama de “um sonhador, para quem as fronteiras entre o real e o imaginário tornaram-se obscuras. Seu vagar sem destino o leva a uma estalagem campestre, na qual ele começa a presenciar estranhos acontecimentos. Descobre a presença de um vampiro que está escravizando uma bela moça. Tenta libertá-la. Mas o espectador não pense que verá aqui aquele vampiro de capa preta e dentes caninos salientes. O poder vampiresco é puramente espiritual, ou psíquico – se preferir uma chave materialista / psicanalítica. Todo o filme caminha entre as nuvens do vago e do abstrato. Nas peripécias de Alan Gray, acabamos jogados dentro de um universo onírico povoado pelo incompreensível, e, a partir de certo momento até o final, a narrativa fica toda muito confusa. Quem gosta do bizarro, do surreal e dos labirintos narrativos de David Lynch, deve conhecer esta grande fonte.
O Vampiro, de Carl T. Dreyer, é um filme na passagem do mudo para o sonoro – assim como M, O Vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang, que discutimos ontem. Porém, diferentemente, deste último, o cineasta escandinavo faz a preferência pelo mudo. O filme é quase todo silencioso, com uma narrativa na forma daquelas legendas de tela inteira típicas da era muda. Os primeiros planos constituem uma assinatura estilística fundamental no cinema de Dreyer. Mas, se em Paixão de Joana D’Arc (1928) é o rosto humano destacado pela câmera próxima, em Vampyr chamam a atenção os primeiros e primeiríssimos planos de objetos (inanimados? veja-se a caveira ou a mão esquelética segurando o vidro de veneno).
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Formato: Rmvb.
Duração: 1:15
Tamanho: 269 Mb.
Dividido em 03 partes Rapidshare.
Áudio: Alemão.
Legendas: Português - Br.
Senha: http://farra.clickforuns.net

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

041. A PAIXÃO DE JOANA D'ARC (1928)



La Passion de Jeanne d'Arc (br/pt: A Paixão de Joana d'Arc) é um filme mudo francês de1928, dirigido por Carl Theodor Dreyer. O roteiro é baseado nos documentos históricos do julgamento de Joana e reconhecido mundialmente como um marco na história do cinema. [1]
Foi o primeiro filme produzido sobre a heroína francesa Joana D'Arc, interpretada por Renée Jeanne Falconetti.[2] A renomada crítica de cinema da revista The New YorkerPauline Kael, considerou o trabalho de Falconetti como 'talvez a melhor interpretação de um ator já gravada em película'

O cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer mostra o grande sofrimento interior da jovem frente as acusações e o abandono tanto dos membros da Igreja Católica quanto de seus compatriotas. O cenários e figurinos são simples e há muitos close-ups no rosto dos atores.
O filme detalha as últimas horas de vida de Joana e ocorre após ela ter sido capturada pelos ingleses, cobrindo a prisão, tortura, julgamento e execução da heroína. O que mais chamou a atenção do filme em seu lançamento, foi o trabalho de câmera, inovador na época, e o método de trabalho de Dreyer, que impediu que seus atores usassem maquiagem no filme, de maneira que suas expressões faciais, tomadas em close, sobressaíssem mais. [4]
Falconeti recbeu vários prêmios por sua multifacetada performance como Joana, neste que foi seu segundo e último papel no cinema.[5] Dreyer tentou usar em seu filme a nova tecnologiade som, que no ano anterior surgiu em O Cantor de Jazz, o primeiro filme sonoro, mas com um orçamento insuficiente para tal, o fez mudo, com legendas.
O filme foi banido na Inglaterra, por mostrar cenas em que Joana é atormentada por soldados ingleses que lembravam graficamente a tortura de Cristo pelos romanos e seu negativo original dado como perdido durante décadas, até a fita master ser encontrada num sanatório para doentes mentais em Oslo, na Noruega, em 1981. Esta versão é hoje disponível em DVD[1]
A revista Sight and Sound, uma das mais reverenciadas sobre cinema por críticos e cineastas, colocou 'A Paixão de Joana D'Arc' como um dos dez maiores filmes de todos os tempos em suas listas de 1952, 1972 e 1992.[6] [7] [8] e Falconetti é colocada como a 26ª maior interpretação do cinema e a primeira da era do cinema mudo, na lista da Premiere, a mais importante dos Estados Unidos[9]


Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Diretor: Carl Th. Dreyer
Duração: 83 minutos
Ano de Lançamento: 1928
País de Origem: França
Idioma do Áudio: Mudo
IMDB: imdb.com/title/tt0019254/

Dados do Arquivo:
Qualidade de Vídeo: DVD Rip
Vídeo Codec: Dvix 3 Low
Vídeo Bitrate: 876 Kbps
Áudio Codec: PCM
Áudio Bitrate: 1024
Resolução: 720x480
Formato de Tela: Widescreen (16x9)
Frame Rate: 29.970 FPS
Tamanho: 1,11 Gb
Legendas: Em anexo





Passion of Joan of Arc movie poster.jpg
cartaz original norte-americano
Bandeira da França França
1928 ı  P&B ı  110 min 
Produção
DireçãoCarl Theodor Dreyer
Roteiro/GuiãoCarl Theodor Dreyer
Joseph Delteil
ElencoRenée Jeanne Falconetti
Eugene Silvain
Maurice Schutz
Génerodrama
Idiomalegendas em francês